A sigla é enorme: LGBTT significa lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, cuja incidência na adolescência é de aproximadamente 10%, de acordo com a literatura médica, como informa o hebiatra Paulo César Pinho Ribeiro, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e presidente do departamento de adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria. E como essa parcela significativa de jovens está vivendo sua sexualidade?
Em meio a solidão, clandestinidade e até violência física, responde o psicólogo Fernando Pocahy, coordenador de projetos do Nuances, uma ong de Porto Alegre que desenvolve os projetos Educando para a Diversidade, que faz parte do programa Brasil sem Homofobia do governo federal, e Gurizada – Saindo do Armário e Entrando em Cena. O primeiro destina-se à formação de professores e o segundo trabalha diretamente com os jovens. “Por limitações de idade ou financeiras, o adolescente homossexual tem poucas possibilidades de exercitar sua sociabilidade. Em qualquer contexto, dizer-se homossexual ainda é uma ameaça e muitos que chegam ao grupo já vêm marcados por agressões físicas, psicológicas e morais”, afirma Fernando. Um dos efeitos nefastos dessa situação é o aumento do risco de suicídio nessa parcela. “Não há números consolidados no Brasil, mas estudos norte-americanos e europeus apontam uma tendência ao suicídio de quatro a sete vezes maior do que a registrada entre heterossexuais. Também são mais freqüentes os quadros de depressão, baixa auto-estima e representações abjetas de si mesmo”, completa ele.
A escola é um dos principais locais de preconceito, e uma pesquisa da Unesco, realizada em 14 capitais brasileiras em 2004, constatou que um em cada quatro estudantes rejeita a idéia de ter um colega de classe homossexual. Apesar disso, a discriminação vem perdendo espaço nos grandes centros urbanos nas últimas décadas. “É visível a evolução que houve na aceitação da homossexualidade. Mas é difícil para o adolescente homossexual não se sentir excluído – afinal, seus sentimentos e vivências não coincidem com o papo da turma, o que dificulta sua identificação com um grupo. É bom para ele contar com uma rede de apoio de amigos, professores e talvez até um terapeuta”, recomenda o sociólogo e psicólogo Antonio Carlos Egypto, coordenador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS), de São Paulo, e autor do livro Sexo, Prazeres e Riscos (Saraiva).