Você tem medo que seu pediatra diga aos teus pais se você está ou não transando? Pode arquivar  medo. A Sociedade Brasileira de Pediatria garante sigilo e confidencialidade sobre a vida sexual dos adolescentes – fase que, segundo a Organização Mundial da Saúde, vai dos 10 aos 19 anos. Apenas situações muito específicas justificam a quebra de sigilo: risco de overdose, risco de aborto, gravidez e risco de morte. Contar aos pais também se justifica quando o médico avalia que o adolescente não segue o tratamento recomendado ou não tem condições de discernir sobre sua conduta. “Mesmo nesses casos, é preciso avisá-lo de que os pais serão informados da situação”, diz o hebiatra Paulo César Pinho Ribeiro, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e presidente do departamento de adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria.
A garantia de sigilo tem como objetivo facilitar a abordagem de temas sensíveis nessa fase, como drogas e sexualidade. Esclarecer sobre os métodos anticoncepcionais e até prescrevê-los também faz parte da rotina do pediatra com o paciente adolescente. “A proposta atualmente é não centrar a abordagem da sexualidade na questão biológica. O que se pretende é mostrar ao jovem que ela não é sinônimo de atividade sexual e integra sua personalidade, influenciando sentimentos, pensamentos, ações e relacionamentos”, resume o médico. Para os pais, a receita é aproveitar e, sem tabus, apoiar que informações completas e idôneas sejam transmitidas aos seus filhos, que, de outro modo, irão buscá-las em fontes menos confiáveis, como amigos e internet.